St. Étienne é a igreja catedral de Toulouse.
Como é de esperar nesta terra, é construída quase inteiramente em tijolo, reservando a pedra para as fundações, os embasamentos, os cunhais, os remates e para as peças mais delicadas e escultura.
Graças ao contraste entre a pedra e o tijolo, percebe-se bem a racionalidade e a justeza do uso dos materiais na construção.
No entanto, a sua característica mais espectacular é o facto de ter ficado encravada a meio da remodelação gótica do antigo templo românico.
O resultado é que hoje todo o lado nascente da catedral, perfeitamente gótico, é muito mais largo do que a velha nave românica, e os eixos de ambas não coincidem. Assim, no (des)encontro entre as partes românica e gótica, cria-se uma pequena dose de caos que potencia axialidades múltiplas e perspectivas insólitas.
No entanto, apesar da ausência de um eixo único que vá dos pés à cabeceira, quando o visitante entra pela porta poente o seu olhar é convidado a repousar na ábside, que se entrevê à esquerda. Isto sucede não só porque o coro gótico é um espaço mais luminoso, mas também porque a própria colocação da porta contribui para uma percepção diagonal da nave românica (e aqui verifica-se o cuidado e sensibilidade das mentes medievais). Reconhecendo as características do espaço interior (fruto do acaso), o mestre que conduziu a reconstrução do portal fê-lo propositadamente excêntrico.
Assim, por um lado, a riqueza e coerência espaciais no interior vêem-se reforçadas e, por outro lado, a simetria do alçado poente é quebrada, apesar de manter uma disposição agradável, e a fachada encontra valor em ser despretensiosamente única e inconfundível.
Assim, por um lado, a riqueza e coerência espaciais no interior vêem-se reforçadas e, por outro lado, a simetria do alçado poente é quebrada, apesar de manter uma disposição agradável, e a fachada encontra valor em ser despretensiosamente única e inconfundível.
(É só impressão minha, ou começo a soar como o Viollet-le-Duc?
Na verdade, não sei se foi mesmo isto que aconteceu mas, pelo que vejo, gosto de pensar que sim.)
Na verdade, não sei se foi mesmo isto que aconteceu mas, pelo que vejo, gosto de pensar que sim.)
portal Norte
(olhem-me para aqueles contrafortes!)
|
| fusão |
| Rosácea românica |