segunda-feira, 30 de setembro de 2013

St. Étienne por dentro e por fora

St. Étienne é a igreja catedral de Toulouse.

Como é de esperar nesta terra, é construída quase inteiramente em tijolo, reservando a pedra para as fundações,  os embasamentos, os cunhais, os remates e para as peças mais delicadas e escultura.
Graças ao contraste entre a pedra e o tijolo, percebe-se bem a racionalidade e a justeza do uso dos materiais na construção.



No entanto, a sua característica mais espectacular é o facto de ter ficado encravada a meio da remodelação gótica do antigo templo românico.
O resultado é que hoje todo o lado nascente da catedral, perfeitamente gótico, é muito mais largo do que a velha nave românica, e os eixos de ambas não coincidem. Assim, no (des)encontro entre as partes românica e gótica, cria-se uma pequena dose de caos que potencia axialidades múltiplas e perspectivas insólitas.
No entanto, apesar da ausência de um eixo único que vá dos pés à cabeceira, quando o visitante entra pela porta poente o seu olhar é convidado a repousar na ábside, que se entrevê à esquerda. Isto sucede não só porque o coro gótico é um espaço mais luminoso, mas também porque a própria colocação da porta contribui para uma percepção diagonal da nave românica (e aqui verifica-se o cuidado e sensibilidade das mentes medievais). Reconhecendo as características do espaço interior (fruto do acaso), o mestre que conduziu a reconstrução do portal fê-lo propositadamente excêntrico.
Assim, por um lado, a riqueza e coerência espaciais no interior vêem-se reforçadas e, por outro lado, a simetria do alçado poente é quebrada, apesar de manter uma disposição agradável, e a fachada encontra valor em ser despretensiosamente única e inconfundível.

(É só impressão minha, ou começo a soar como o Viollet-le-Duc?
Na verdade, não sei se foi mesmo isto que aconteceu mas, pelo que vejo, gosto de pensar que sim.)
Seguem-se as fotografias.




Vista da Rue de Metz, principal eixo transversal da cidade
portal Norte
(olhem-me para aqueles contrafortes!)


fusão
Rosácea românica
lado sul, do claustro entretanto demolido
A caixa de escadas racionalista



1 comentário:

  1. Pois não sei se será influência de Viollet-Le-Duc ou não, mas com a tua descrição esse espaço ganhou novos contornos para mim! :D
    WOW! (para os contrafortes)

    ResponderEliminar